
Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem uma fonte potencial de desenvolvimento económico. Contudo, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil. Após a desintegração da União Soviética, o país tem passado por diversas fases e por diversas crises, nomeadamente a de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático.
A partir de 2000 verificou-se um crescimento económico acentuado, resultante não só da estabilidade político-social alcançada depois da subida ao poder de Vladimir Putin, mas também devido a uma evolução positiva dos preços das matérias-primas que a Rússia exporta, nos mercados internacionais. A política externa da Rússia confirmou a sua aproximação aos países ocidentais, verificando-se assim a inserção progressiva do país no seio das instituições económicas mundiais, sendo actualmente membro de pleno direito do G7 (que passou a ser considerado G8) e encontrando-se em fase de negociação para aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O clima de confiança criado pela estabilidade política e pelos bons resultados económicos e financeiros tem vindo a reflectir-se no crescimento do poder de compra das famílias. Nos últimos seis anos, a Rússia registou um crescimento médio anual do produto interno bruto (PIB) da ordem dos 6,7%, a inflação caiu para 9,7%1 em 2006, assistiu-se a um aumento considerável das reservas de divisas2 e ao saneamento das finanças públicas.
A recuperação do crescimento económico baseou-se na expansão simultânea do mercado interno e externo. O dinamismo do consumo interno tem sido o principal motor da economia, sustentado pelo aumento dos rendimentos e pela forte expansão do crédito ao consumo (os empréstimos aos particulares duplicaram em 2005), que representa cerca de 14% do total dos activos dos bancos comerciais.
Também o investimento tem registado um forte crescimento, ainda que represente apenas 18% do PIB, o que fica bastante aquém da média dos países da CEI (cerca de 26%), e seja manifestamente insuficiente para as necessidades da economia russa. No entanto, o investimento é muito variável nos diferentes sectores da actividade económica. Assim, verifica-se um crescimento elevado no sector petrolífero, comunicações, comércio de retalho, sector público, construção, agricultura, máquinas e equipamentos, indústria do papel e indústria química, enquanto outros sectores (alimentar, vestuário, electrónico, automóvel, etc.) registam diminuições de investimento.
1 Em 1998 a taxa de inflacção atingiu 84,4%.
2 A Rússia representa o 3º país em termos de reservas de divisas, juntando-se assim à China e ao Japão enquanto principais credores do défice corrente dos EUA.
A sustentar o crescimento económico estão essencialmente os elevados preços dos combustíveis, que assumem uma importância primordial na economia da Rússia e que asseguram receitas de exportação crescentes, o que torna o país excedentário em termos comerciais. Actualmente o petróleo e o gás representam cerca de 63,3% das exportações russas, as quais registaram um aumento de 24% em 2006, face ao ano anterior.
A elevada dependência da produção e exportação de recursos naturais constitui uma das principais debilidades da economia russa. De facto, o desequilíbrio da estrutura produtiva limita o crescimento da economia e torna-a muito dependente da evolução dos preços do petróleo.
As finanças públicas continuam equilibradas, representando o saldo do sector público 7,7% do PIB. Apesar do assinalável excedente orçamental, tem existido um gradual relaxamento fiscal, a ocorrer desde 2004, que tem sido compensado pelo aumento dos superavites resultantes do “boom” das receitas de petróleo. Também os equilíbrios das contas externas permanecem sólidos, tendo o saldo da balança corrente atingido 95,6 mil milhões de USD em 2006 (9,8% do PIB).
| Unidade | 2003 | 2004 | 2005 | 2006 a | 2007 b | 2008 b | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Fonte: The Economist Intelligence Unit (EIU) | |||||||
| Notas: (a) Estimativas; (b) Previsões; (c) Definitivos | |||||||
| População | Milhões | 144,2 | 143,5 | 142,8 | 142,3 | 141,9 | 141,2 |
| PIB a preços de mercado | 109RUR | 13.243 | 16.966 | 21.958 | 26.607 | 30.671 | 35.033 |
| PIB a preços de mercado | 109USD | 431 | 589 | 764 | 978 | 1.160 | 1.298 |
| PIB per capita | USD | 2.990 | 4.100 | 5.350 | 6.870 | 8.170 | 9.190 |
| Crescimento real do PIB | % | 7,3 | 7,2 | 6,4 | 6,6 | 5,8 | 5,3 |
| Consumo privado | Var. % | 7,3 | 11,2 | 10,9 | 12,7 | 12,5 | 11,7 |
| Consumo público | Var. % | 2,2 | 2,1 | 1,8 | 4,0 | 3,4 | 3,1 |
| Formação bruta de capital fixo | Var. % | 12,8 | 11,3 | 10,5 | 13,5 | 11,0 | 10,6 |
| Taxa de desemprego | % | 8,6 | 8,2 | 7,6 | 7,0 | 6,5 | 6,3 |
| Taxa de inflação | % | 13,7 | 10,9 | 12,7 | 9,7c | 8,8 | 7,7 |
| Saldo do sector público | % do PIB | 2,4 | 4,9 | 7,5 | 7,7 | 6,0 | 4,7 |
| Balança corrente | 109USD | 35,4 | 58,6 | 83,2 | 95,6c | 89,3 | 62,4 |
| Balança corrente | % do PIB | 8,2 | 10,0 | 10,9 | 9,8 | 7,7 | 4,8 |
| Taxa de câmbio | 1USD=xRUR | 30,7 | 28,8 | 28,3 | 27,2c | 26,5 | 27,0 |
| Taxa de câmbio | 1EUR=xRUR | 34,8 | 35,8 | 35,2 | 34,2 | 35,5 | 36,8 |
A Rússia continua também a honrar atempadamente o serviço da dívida, cujo rácio dívida pública/PIB é um dos mais baixos do mundo (9% em 2006), devido ao reembolso antecipado, em Agosto de 2006, da dívida ao Clube de Paris. A dívida pública externa representa 5% do PIB, contra 4% da dívida pública interna. Por outro lado, a dívida externa das empresas e dos bancos tem aumentado fortemente desde 2003, representando 23% do PIB em 2005. O rácio desta dívida relativamente às exportações (fundamentais para o reembolso da dívida) já ultrapassou 70%, nível considerado arriscado por muitos especialistas.
No final de 2004 foi criado um fundo de estabilização, que é alimentado pelos superavits orçamentais e pelos excedentes das receitas petrolíferas quando a cotação do barril ultrapassa um limite previamente definido (27 USD em 2006) e que até ao momento tem sido fundamentalmente utilizado no reembolso da dívida externa russa. As receitas do fundo têm aumentado muito mais que o previsto, tendo atingido 70,7 mil milhões de USD em finais de Setembro de 2006 (10% do PIB). O quadro jurídico do fundo já foi finalizado, o que permitiu conservar os activos em divisas depositadas no Banco Central (45% em dólares americanos, 45% em euros e 10% em libras esterlinas).
A crescente entrada de divisas no país gerou uma valorização contínua do rublo e reforçou a monetarização crescente da economia3. O rublo recuperou, em termos reais, o valor anterior à desvalorização de 1998 e nos primeiros nove meses de 2006 verificou-se uma apreciação efectiva do rublo de 8,1%, apesar da intervenção activa do Banco Central, no sentido de controlar a cotação da moeda. A valorização do rublo e a confiança crescente no sistema bancário refreou o processo de “dolarização” da economia e aumentou a procura de moeda nacional.
De forma resumida, podemos apontar os seguintes pontos fortes e pontos fracos da economia russa:
| Pontos Fortes | Pontos Fracos |
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Importância da Rússia nos fluxos comerciais para Portugal
De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2005 a Rússia foi o 35º cliente de Portugal (19º no contexto extra-UE), com uma quota de 0,27% do total exportado, e o 18º fornecedor, com uma quota de 0,79% do total das importações. Face aos valores destes indicadores em 2001, podemos concluir que nos últimos cinco anos se verificou um reforço do comércio bilateral, embora permaneça ainda muito aquém das suas potencialidades.
| 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 p | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística | ||||||
| Notas: P - Resultados preliminares apurados com base nos dados declarados pelos operadores económicos, corrigidos dos valores correspondentes às operações abrangidas pela lei do segredo estatístico. |
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| Como cliente | Posição | 46a | 42a | 41a | 39a | 35a |
| % | 0,08 | 0,12 | 0,14 | 0,18 | 0,27 | |
| Como fornecedor | Posição | 14 | 16 | 13 | 12 | 18 |
| % | 1,00 | 0,90 | 1,30 | 1,34 | 0,79 | |
A balança comercial entre os dois países, tradicionalmente muito desequilibrada e desfavorável a Portugal, registou em 2004 o maior défice de sempre, atingindo um valor de cerca de 563 milhões de euros, verificando-se em 2005 uma melhoria deste indicador devido sobretudo a um decréscimo acentuado das importações.
Nos primeiros nove meses de 2006, relativamente ao período homólogo de 2005, verificou-se um aumento de 62% das exportações portuguesas para a Rússia, enquanto as importações registaram um acréscimo mais acentuado, da ordem dos 91%, traduzindo-se o coeficiente de cobertura das importações em apenas 14%.
| (103 EUR) | 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 | Evolução (a) | Jan/Set 2005 p | Jan/Set 2006 p | Var. 06/05 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Fonte: The Economist Intelligence Unit (EIU) | |||||||||
| Notas: (a) Estimativas; (b) Previsões; (c) Definitivos | |||||||||
| Exportações | 22.679 | 31.964 | 39.608 | 52.368 | 78.744 | 36,87% | 47.254 | 76.497 | 61,9% |
| Importações | 435.658 | 357.795 | 519.080 | 615.430 | 374.475 | 1,65% | 284.003 | 542.567 | 91,0% |
| Saldo | −412.979 | −325.831 | −479.472 | −563.062 | −295.701 | −236.749 | −466.070 | ||
| Coef. cobertura (%) |
5,21 | 8,93 | 7,63 | 8,51 | 21,04 | 16,64 | 14,1 | ||
Como já referimos, o investimento directo da Rússia em Portugal tem sido inexpressivo, verificandose uma média anual, entre 2001 e 2005, de 191 mil euros (investimento bruto). Registaram-se ainda alguns desinvestimentos, tendo o ano de 2001 assumido um valor negativo em termos de investimento líquido.
| (103 EUR) | 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 |
|---|---|---|---|---|---|
| Fonte: Banco de Portugal | |||||
| Investimento bruto | 21 | - | 244 | 475 | 215 |
| Desinvestimento | 76 | - | - | 280 | 47 |
| Investimento líquido | -55 | - | 244 | 195 | 168 |
A maioria do investimento bruto da Rússia em Portugal destinou-se às actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas e ao comércio por grosso e a retalho.
Embora ainda modesto em termos absolutos, a Rússia representa já um importante mercado emissor para Portugal, posicionando-se em 2005 no 19º lugar no ranking do número de dormidas de estrangeiros na hotelaria. Nos últimos cinco anos verificou-se uma evolução irregular deste indicador, tendo-se registado um decréscimo superior a 30% em 2005 face a 2004, ano em que o número de dormidas foi mais elevado (162.167), motivado pela realização do EURO2004. Também as receitas, no montante de 12,6 milhões de euros em 2005, acusaram um decréscimo significativo relativamente a 2004 (-30,5%).
Ao nível dos países da Europa Central e Oriental, a Rússia ocupa tradicionalmente a primeira posição enquanto emissor de turistas para Portugal, seguida da Polónia, República Checa e Hungria.
| 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 | |
|---|---|---|---|---|---|
| Fontes: INE - Instituto Nacional de Estatística; Banco de Portugal | |||||
| Nota: (a) Inclui apenas o número de dormidas na hotelaria global. | |||||
| Dormidasa | 125.185 | 119.421 | 112.197 | 162.167 | 112.489 |
| Receitas (103 EUR) | 9.289 | 11.022 | 9.160 | 18.200 | 12.648 |