
As trocas comerciais entre a Rússia e Portugal ainda são pouco significativas, mas as potencialidades são grandes, disse hoje o delegado do ICEP em Moscovo, Ernesto Martins, em entrevista à Lusa.
"Em 2006, o valor das exportações portuguesas para o mercado russo constituiu apenas 110 milhões de euros, mas significou um aumento de 60 por cento em relação ao ano anterior. Este ano, deveremos ultrapassar os 160 milhões", indicou Ernesto Martins.
"Porém ainda são números pequenos porque é muito difícil chamar empresas para um mercado onde a abordagem é não é tradicional", afirmou o delegado do ICEP, acrescentando que, "no ano passado, foram criadas dois milhões e meio de empresas na Rússia, muitas com duração efémera".
Ernesto Martins considerou, no entanto, que, no último ano, as autoridades e os empresários portugueses revelaram "um interesse muito maior" para com o mercado russo.
"Aumentou o número de empresas portuguesas em feiras e exposições, de visitas oficiais a Moscovo, o que faz com que Portugal seja mais falado aqui", frisou Ernesto Martins.
Todavia, o representante do ICEP defendeu que Portugal "necessita de uma acção de prestígio que coloque, salvo as devidas proporções, o país ao nível da Itália e Espanha".
Quanto aos sectores mais prometedores para as empresas portuguesas, Ernesto Martins sublinhou que, "além dos produtos tradicionais - calçado, confecções, têxteis e cortiça -, voltou a haver oportunidades boas na construção naval, na construção civil e obras públicas e no turismo".
Neste último sector, o delegado do ICEP defende que "os operadores turísticos devem operar [na Rússia], como fazem os espanhóis".
Ernesto Martins revelou que, durante a visita do primeiro-ministro, José Sócrates, a Moscovo, será inaugurada uma exposição de "altas tecnologias portuguesas".
"Dezasseis empresas lusas do sector da informática irão apresentar os seus produtos, mostrar às empresas russas que [Portugal] tem know-how em alta tecnologia, que já exporta para outros mercados", referiu.
Além disso, adiantou, a empresa lusa Logoplast vai construir uma fábrica de embalagens plásticas para a multinacional Procter & Gamble.
A Revigrés, empresa portuguesa que fabrica revestimentos de cerâmica e que forneceu azulejos para as obras de remodelação dos aeroportos Vnukovo 1 e 3 de Moscovo, foi escolhida para fornecer esses materiais também para o Vnukovo-2.
Quanto aos investimentos russos em Portugal, Ernesto Martins espera que as conversações entre a Gazprom, empresa que detém o monopólio da exportação de gás natural russo, e empresas portuguesas como a Amorim, a Galp e a EDP, que terão lugar durante a visita do primeiro-ministro, produzam resultados positivos.
"Há interesse de empresas russas em negociações para implementar infra-estruturas em Sines", garantiu, concluindo que "o turismo é também outro sector muito atractivo para os investimentos russos".
Durante a guerra civil espanhola, como enviado do “Diário de Lisboa”, foi o primeiro jornalista a denunciar ao mundo o episódio que ficou conhecido como a “matança de Badajoz”, onde centenas de republicanos foram fuzilados pelas tropas franquistas.
Até 1982, presidiu à Comissão do Livro Branco do Ministério dos Negócios Estrangeiros, cargo que abandonou por ter atingido o limite de idade. No V Governo Constitucional foi Secretário de Estado da Emigração.