
A energia será um dos principais temas em foco na visita oficial do primeiro-ministro, José Sócrates, à Rússia, aguardando-se a formalização de um entendimento entre a Amorim Energia e a Gazprom para a participação indirecta da gasista russa na Galp Energia.
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Américo Amorim, contactado pela agência Lusa, escusou-se a revelar qualquer pormenor sobre o estado das negociações entre a Amorim Energia e a empresa estatal do gás e do petróleo Gazprom, ou mesmo se será assinado qualquer acordo, afirmando apenas que vai estar na Rússia.
A Gazprom, a maior empresa de gás do mundo, poderá entrar no capital da Galp Energia através de uma tomada de uma posição na Amorim Energia, umas das accionistas de referência da petrolífera portuguesa.
O presidente-executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, considera positiva essa entrada, afirmando que permitirá a existência de uma relação estável com o maior produtor mundial de gás e abrirá as portas para o estabelecimento de relações comerciais entre as duas empresas.
Neste momento, a Galp compra gás à empresa argelina Sonatrach, com a qual tem um contrato de fornecimento até 2026, que, por sua vez, estabeleceu uma parceria com a EDP.
Ferreira de Oliveira considera “bom para o país” que as empresas portuguesas consigam ter “relações qualificadas” com os dois grandes operadores mundiais de gás.
O delegado do ICEP na capital russa, Ernesto Martins, afirmou, em entrevista à Lusa, esperar que as conversações entre a Gazprom e empresas portuguesas como a Amorim, Galp e EDP, que terão lugar durante a visita do primeiro-ministro, produzam resultados positivos.
O primeiro-ministro vai a Moscovo acompanhado de outros membros do Governo e cerca de meia centena de empresários portugueses.
Ao contrário do que aconteceu em visitas anteriores, os empresários portugueses não vão a Moscovo para "sondar" o mercado, mas para assinar contratos concretos ou dar continuidadea projectos já em realização.
A Gazprom, além da eventual entrada no capital da Galp Energia, através da Amorim Energia, tem já assinado com a API um protocolo para a reserva de terrenos em Sines com vista à construção de uma fábrica de produção de etileno.
O projecto está orçado em 65 milhões de euros e prevê a criação de 150 a 200 novos postos de trabalho.
A Gazprom tem como estratégia tornar-se o líder mundial no fornecimento de gás e outros combustíveis e os seus interesses estendem-se da Estónia até Portugal.
Em 2005, a empresa vendeu aos países europeus 156,1 mil milhões de metros cúbicos de gás, sendo responsável por satisfazar um terço das necessidades de gás da Europa Ocidental.
Simultaneamente, tem estabelecido parcerias com várias empresas europeias, como a Eni - também accionista de referência da Galp - para prolongar o contrato de fornecimento de gás em troca da entrada no mercado interno da comercialização.
O mesmo já tinha acontecido em França, com a Gaz de France (GDF).
A escassez de recursos a nível mundial e a consequente preocupação dos países com a segurança do abastecimento, transformou o acesso às fontes energéticas numa questão politica da maior importância.
A Gazprom com reservas de gás natural que ascendem a 29,1 triliões de metros cúbicos e uma produção estimada de 630 mil milhões de metros cúbicos em 2030, tem conquistado uma posição crescente enquanto fornecedora de energia à Europa, tendência à qual Portugal não deverá fugir.