
De partida para visita oficial à Rússia, o Governo português já vê resultados da sua estratégia para aumentar as exportações para os países BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China): as vendas têm crescido a ritmos de dois dígitos.
"Começámos por fazer a segmentação para abordagem dos mercados mundiais" e, depois, "apostámos em mercados considerados emergentes, com boas condições naturais e geopolíticas", explicou à agência Lusa o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro.
A ideia central desta estratégia é diversificar os destinos das exportações portuguesas, para que seja menor a dependência da União Europeia (UE), que compra três quartos do que Portugal vende ao estrangeiro.
Além disso, privilegiando países que crescem mais rapidamente do que a UE, Portugal terá maiores capacidades para reforçar o seu ritmo de expansão.
Brasil, Rússia, Índia, China, países com elevadas taxas de crescimento e considerados, internacionalmente, como potências económicas do futuro, foram escolhidos como mercados prioritários para as exportações portuguesas.
"Aos BRIC acrescentámos Angola, que está com bons níveis de crescimento", explica Fernando Serrasqueiro.
O Produto Interno Bruto (PIB) angolano cresceu 89,6 por cento nos últimos cinco anos, desde que a paz chegou ao país, e, segundo dados da Economist Intelligence Unit, Angola foi o país africano que mais cresceu no ano passado, a um ritmo de 17,6 por cento.
Só no primeiro trimestre deste ano, as exportações portuguesas aumentaram 42,7 por cento, para 362,1 milhões de euros.
Todos os BRICA já foram visitados por Portugal com comitivas ao mais alto nível político: o Presidente da República, Aníbal cavaco Silva, esteve na índia, enquanto o primeiro-ministro, José Sócrates, visitou o Brasil, a China e, também, Angola.
O primeiro ciclo de visitas políticas fica agora concluído com a viagem de Sócrates à Rússia, um país que cresceu 6,7 por cento no ano passado e que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) estima que mantenha o ritmo este ano, com uma expansão de 6,5 por cento.
"[Estes países] estão hoje com grandes crescimentos", refere o secretário de Estado.
A China está a crescer acima dos 10 por cento há uma década e, segundo a OCDE, deverá continuar assim, pelo menos este ano e no próximo.
A Índia cresce a taxas superiores a 8 por cento e só o Brasil é que destoa neste clube, mas, mesmo assim, está com um ritmo de criação de riqueza em aceleração, dos 3,7 por cento do ano passado para 4,4 por cento este ano e 4,5 por cento em 2007.
Estes países, por causa do seu crescimento económico, têm capital, um crescente consumo e uma aproximação dos padrões ao ocidente industrializado.
A estratégia portuguesa de aproveitar este clima e vender mais fora da Europa já foi visível no ano passado, quando as exportações para países terceiros cresceram 26,8 por cento, muito acima do aumento das vendas à UE, que se limitou a 8,7 por cento.
No entanto, as vendas intramuros no Velho Continente continuam a ser mais importantes, representando 77,2 por cento das exportações nacionais.
Na Rússia, a última paragem do périplo BRICA feito nos últimos dois anos, Serrasqueiro identifica que "os hábitos de consumo estão em mudança e a aproximarem-se dos padrões ocidentais", o que faz com que haja oportunidades de negócios para as empresas portuguesas.
"Há um conjunto muito largo de áreas com potencial para as exportações portuguesas", afirma o governante, apontando que existem oportunidades "nas infra-estruturas e na habitação", mas também em sectores como "máquinas, construção, materiais de construção, fileira moda", entre outros.
"As diferentes fileiras que analisámos todas estão a crescer", diz.
"A Rússia está com altos rendimentos, mas com fraca produção própria", pelo que, "com a subida do rendimento, aumentam [também] as importações", justifica.
De acordo com dados estatísticos do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, entre os 275.906 estrangeiros que escolheram Portugal para viver, há 4.939 cidadãos originários da Rússia.
Por sexos, 2468 são Homens e 2471 são Mulheres. Quase uma igualdade.