
O primeiro-ministro inicia domingo uma visita oficial de três dias à Rússia para desenvolver as relações bilaterais, sobretudo no campo económico, em que se prepara um acordo de uma linha de crédito para as exportações nacionais.
![]() Fonte: Arquivo Lusa |
Nos três dias de presença em Moscovo, em que ficará instalado no Kremlin - honra apenas concedida pelo poder russo a chefes de Estado -, José Sócrates encontrar-se-á com o presidente Vladimir Putin, na terça-feira, num momento em que o quadro de relações diplomáticas entre Rússia e União Europeia atravessa dificuldades.
Desde que é primeiro-ministro, esta será a segunda visita de José Sócrates a Moscovo - a primeira aconteceu em Maio de 2005, por ocasião das comemorações dos 50 anos da vitória dos "Aliados" na II Guerra Mundial.
Na capital russa, José Sócrates estará acompanhado por cinco ministros do seu Governo: Estado e Negócios Estrangeiros (Luís Amado), Estado e Finanças (Teixeira dos Santos), Administração Interna (Rui Pereira), Economia e Inovação (Manuel Pinho) e Cultura (Isabel Pires de Lima).
A comitiva do Governo integra ainda os secretários de Estado Adjunto do primeiro-ministro (Filipe Baptista), da Justiça (José Conde Rodrigues) e do Comércio e Serviços (Fernando Serrasqueiro).
De acordo com fonte do executivo português, a forte componente económica desta visita explica a presença na comitiva de 39 empresários, alguns deles já com presença no mercado russo e que pertencem aos sectores tradicionais do calçado e da cortiça (casos do comendador Américo Amorim e do representante da Aerosoles).
Para o Governo português, a aposta na Rússia cumpre a estratégia do executivo de apostar nos mercados emergentes que têm registado os maiores índices de crescimento económico ao longo dos últimos casos, particularmente a China, Brasil, Índia e Angola.
No entanto, ao contrário do que sucede com a China, Brasil e Angola, na Rússia a presença do sector exportador nacional é ainda reduzida, num momento em que a procura interna deste país tem aumentado a uma média anual de 30 por cento.
Nesse sentido, enquanto estiver na capital russa, o ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, irá procurar concluir as negociações para a abertura de uma linha de crédito destinada a apoiar as exportações nacionais, cujo acordo formal entre os dois países deverá ser assinado até Julho.No campo empresarial, o objectivo do executivo português é alargar as exportações a novos sectores (como os moldes, materiais de construção e tecnologias de informação e comunicação), mas também promover o turismo nacional, aproveitando o aumento do poder de compra de algumas faixas populacionais russas.
"Há hoje uma nova Rússia nos negócios, que paga a tempo e horas. E há uma Rússia que regista um acentuado poder de compra", disse fonte diplomática portuguesa.
Durante os três dias em Moscovo, José Sócrates - além de encontros institucionais como o seu homólogo Mikhail Fradkov e com o presidente da Duma (Parlamento) Boris Gryzlov, ambos na segunda-feira - assistirá à apresentação de meios aéreos de combate a incêndios.
O Estado Português vai adquirir seis helicópteros Kamov para combate a incêndios, que serão entregues de forma faseada a partir de Junho e que representam um investimento de 42 milhões de euros.
No domínio da Cultura, Isabel Pires de Lima procurará em Moscovo concluir as negociações para a instalação a breve prazo de um pólo do Museu Hermitage em Lisboa e, segunda-feira, ao fim da tarde, Mariza dará um concerto de fados.
No que respeita à justiça, o secretário de Estado Conde Rodrigues assinará com o seu homólogo um memorando de entendimento em termos de cooperação.
De acordo com dados estatísticos do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, entre os 275.906 estrangeiros que escolheram Portugal para viver, há 4.939 cidadãos originários da Rússia.
Por sexos, 2468 são Homens e 2471 são Mulheres. Quase uma igualdade.