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Portugal/Rússia: Sócrates prepara terreno para gerir crise entre Bruxelas e Moscovo

O primeiro-ministro, José Sócrates, encontra-se terça-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo, ocasião em que começará a preparar terreno para gerir a crise entre União Europeia e a Rússia durante a presidência portuguesa.

A visita oficial de três dias de José Sócrates à Rússia, que começa no domingo, acontece um mês antes de Portugal assumir a presidência da União Europeia e num momento em que Bruxelas e o poder de Moscovo se encontram num impasse diplomático.

A última cimeira entre Rússia e União Europeia terminou no passado dia 18, em Samara, nas margens do rio Volga, sem qualquer acordo em relação à independência do Kosovo, a uma nova parceria estratégica no capítulo da energia ou ao fim do embargo russo às importações de carne proveniente da Polónia.

Para Outubro está prevista uma nova cimeira entre a União Europeia e a Rússia, cabendo à presidência portuguesa um papel relevante nas negociações para desbloquear o actual quadro de crise.

Fonte diplomática portuguesa afastou qualquer possibilidade de a visita do primeiro-ministro à Rússia - que tem uma forte componente bilateral nos planos políticos e económico - ser encarada como um sinal de falta de solidariedade em relação aos restantes parceiros europeus, quando Bruxelas cerra fileiras face às autoridades de Moscovo.

Pelo contrário, a mesma fonte assegurou que a visita de José Sócrates à Rússia estava "há longo tempo planeada", que "é do conhecimento (e é bem aceite) por todos os Estados-membros da União Europeia" e que a actual presidência alemã, por intermédio da chanceler Angela Merkel, tem estado "em estreita articulação" com o Governo de Lisboa.

Segundo o executivo de Lisboa, durante os três dias que Sócrates permanecerá em Moscovo, "não haverá qualquer negociação com as autoridades russas para desbloquear o impasse com Bruxelas, até porque o Governo português não tem legitimidade para isso" neste momento.

No entanto, durante as conversações de carácter político, o chefe do Governo português não deixará de passar a mensagem do seu empenho no sentido de que a crise diplomática se resolva a curto prazo, se possível em Outubro, durante a presidência portuguesa.

"Portugal é um país que está bem colocado para gerir a crise, porque não tem qualquer dependência energética face à Rússia, nem qualquer conflito político com este país", disse à agência Lusa fonte diplomática nacional.

Por outro lado, para o Governo português, existem já sinais de que o chefe de Estado russo não está interessado em extremar posições face à União Europeia e que, por outro lado, Bruxelas sabe que tem de continuar a lidar com a Rússia.

"A visita do primeiro-ministro à Rússia pode ser um contributo para ajudar a desanuviar o actual clima. Nesse sentido, a União Europeia só tem a ganhar", frisou a mesma fonte.

Da parte diplomática portuguesa, salienta-se a "especial atenção" com que a parte russa preparou o programa da visita oficial do primeiro-ministro e que teve o gesto inédito de José Sócrates ter sido convidado por Putin para ficar instalado no Kremlin - honra que apenas é concedida a chefes de Estado.

Esses sinais, em conjunto, levam a diplomacia nacional a manifestar a convicção de que a Rússia deseja ter em Portugal uma ponte para desanuviar o ambiente com Bruxelas e, por essa via, chegar a prazo a um acordo global político com a União Europeia.

26/05/2007 | PMF., Lusa

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