
Pedro Silva Pereira assegurará a liderança do Governo durante a ausência de Sócrates na Rússia
É apenas o quarto na lista hierárquica depois da saída de António Costa, mas Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência, vai assumir por dois dias e meio a chefia do Governo. José Sócrates resolveu levar consigo, na visita oficial que amanhã inicia à Rússia, os dois ministros de Estado (Luís Amado, dos Negócios Estrangeiros, mas também Teixeira dos Santos, das Finanças), entregando ao seu eterno braço-direito a condução dos assuntos da Nação até ao final do dia de terça-feira.
A deslocação a Moscovo integra, aliás, uma extensa comitiva. Do Governo, seguem também caminho Manuel Pinho, da Economia, Rui Pereira, Administração Interna, e Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura. Juntam-se a eles três secretários de Estado da Justiça, Comércio e o adjunto do próprio Sócrates. Depois, contam-se ainda 52 empresários, dos sectores tradicionais às novas tecnologias - que, no caso destas últimas, estarão numa mostra especial em Moscovo.
Não é, aliás, por acaso que Sócrates volta a chamar dezenas de empresários a uma deslocação oficial. Depois da China, Angola e do Brasil, o objectivo é fechar o ciclo das viagens com um estrito propósito económico o de relançar as exportações portuguesas. Em São Bento garante-se que as anteriores tiveram "efeitos reais" nos meses subsequentes às visitas. Ou seja, que as empresas aproveitaram a deslocação para entrar nos respectivos mercados. Para dar uma ajuda, lá estará o ministro das Finanças, a acelerar um acordo para uma nova linha de crédito.
De resto, há ainda uma intensa expectativa diplomática à volta da deslocação. É que o encontro de Sócrates com Vladimir Putin será o primeiro do chefe de Estado russo com um líder de um país da União Europeia depois da cimeira de Samara, dez dias antes, e que constituiu um enorme fracasso diplomático. Naquela altura, Putin, Angela Merkel e Durão Barroso trocaram duras acusações não só sobre as relações entre Rússia, a UE e alguns estados do Leste da própria União, como também sobre as liberdades políticas na própria Rússia.
Se em Samara só deu fracasso, Sócrates tem na mão uma responsabilidade e uma oportunidade a de não entrar em diálogo com a Rússia sem afrontar a UE (a que presidirá um mês depois); e a de estreitar diálogo com Putin, para que as difíceis relações entre os dois blocos de possam estreitar em Outubro, na cimeira que trará Putin e os líderes da Europa a Lisboa.
Durante a guerra civil espanhola, como enviado do “Diário de Lisboa”, foi o primeiro jornalista a denunciar ao mundo o episódio que ficou conhecido como a “matança de Badajoz”, onde centenas de republicanos foram fuzilados pelas tropas franquistas.
Até 1982, presidiu à Comissão do Livro Branco do Ministério dos Negócios Estrangeiros, cargo que abandonou por ter atingido o limite de idade. No V Governo Constitucional foi Secretário de Estado da Emigração.