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Sócrates sublinha direitos humanos

A um mês de assumir a presidência da União Europeia, José Sócrates parte hoje para a Rússia com uma mensagem difícil para entregar ao presidente russo a necessidade de "construir uma convergência" entre Europa e Moscovo, e de "promover uma nova ordem mundial, baseada nos valores da paz, da democracia e dos direitos humanos".

A frase é do próprio primeiro-ministro português e foi deixada no site oficial da deslocação (www.missaorussia.gov.pt) oficial e mostra a determinação do próximo presidente da União em não deixar cair as principais reclamações da Europa face a Vladimir Putin. Na mensagem, Sócrates aponta todos os pontos sensíveis nas negociações entre os dois blocos começa pela "estabilidade" dos países de Leste da UE, hoje sob medidas de restrição comercial aplicadas por Putin; passa pela energia, falando da necessidade de "regras internacionais comuns", no momento em que a Europa teme pelo abastecimento de gás e petróleo, na maioria vindos da Rússia; e não passa por cima dos direitos humanos, depois de Putin ter proibido uma manifestação de opositores do seu regime, liderados pelo ex-campeão de Xadrez, Kasparov.

Este último caso, aliás, acabou por manchar a cimeira de há duas semanas, que fez encontrar Putin, Angela Merkel e Durão Barroso. Na altura, a chanceler alemã mostrou o seu desagrado pela proibição ao próprio presidente russo. A cimeira, claro está, acabou sem consenso sobre o prolongamento do acordo de parceria entre os dois blocos.

Mas a visita oficial do primeiro-ministro a Moscovo não se limita a uma agenda europeia. Sócrates aposta no "reforço do relacionamento bilateral", nomeadamente em questões económicas. A aposta é na entrada de empresas portuguesas na economia russa, hoje com um ritmo de crescimento de 6% ao ano. Por isso, seguem viagem mais de 50 empresários portugueses, para lá dos ministros da Economia e das Finanças. Teixeira dos Santos, aliás, terá como missão negociar uma linha de crédito ao investimento português, instrumento raro na política russa.

27/05/2007 | David Dinis, Jornal de Notícias

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Sabia que...

Sabia que o jornalista, escritor e diplomata, Dr. Mário Neves, foi o primeiro embaixador de Portugal em Moscovo, logo após o 25 de Abril de 1974., lugar que ocupou até 1977.

Durante a guerra civil espanhola, como enviado do “Diário de Lisboa”, foi o primeiro jornalista a denunciar ao mundo o episódio que ficou conhecido como a “matança de Badajoz”, onde centenas de republicanos foram fuzilados pelas tropas franquistas.

Até 1982, presidiu à Comissão do Livro Branco do Ministério dos Negócios Estrangeiros, cargo que abandonou por ter atingido o limite de idade. No V Governo Constitucional foi Secretário de Estado da Emigração.

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