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Sócrates realça bom estado das relações bilaterais em entrevistas à imprensa russa

"Acho sinceramente que nunca estiveram melhor". É assim que o primeiro-ministro português, José Sócrates, caracteriza o estado das relações entre Portugal e a Rússia, numa entrevista concedida à ITAR-TASS.

"O estado muito positivo das relações bilaterais entre Portugal e a Federação da Rússia pode e deve ter correspondência na componente económica empresarial", considera José Sócrates.

“Para nós é muito claro que há um potencial significativo a explorar seja nas trocas comerciais ou seja no investimento produtivo", diz.

O primeiro-ministro português, em declarações à ITAR-TASS, destaca outro aspecto muito importante da sua visita: "A apresentação de uma mostra de empresas tecnológicas que decorrerá em paralelo com a visita oficial”.

“Portugal é hoje reconhecido como um país em que as universidades e os empreendedores privados têm contribuído para criar uma série alargada de empresas com know-how na área das tecnologias de informação", refere.

"Estamos também empenhados em criar condições para atrair um maior número de cidadãos russos a visitar Portugal. Para este efeito, estamos a reforçar a promoção de Portugal, dando maior visibilidade a um destino de sol, de cultura, de gastronomia, de diversidade e cosmopolita", aponta o primeiro-ministro.

No que respeita à próxima presidência portuguesa da União Europeia, Sócrates sublinha, nessa entrevista, que olha para esse desafio com "realismo e ambição".

"Realismo porque reconhece e decide enfrentar os problemas da Europa, não os disfarça. Ambição porque nos comprometemos a responder com soluções a alguns problemas que a Europa enfrenta", declarou José Sócrates.

"O actual momento das relações UE-Rússia só vem comprovar o óbvio: é necessária uma evolução na parceria estratégica entre a UE e a Rússia. A Rússia é essencial para a estabilidade europeia e mundial. Ninguém o contesta. Ninguém contesta também que a unidade europeia em relação à Rússia tem sido mais difícil de alcançar desde o último alargamento", constata o primeiro-ministro.

Reconhece, também, que, "por razões inerentes à sua geografia e à sua história, alguns dos novos Estados-membros têm relações bilaterais diferentes das de outros Estados-membros com a Rússia".

Neste contexto, o estadista português considera que "o objectivo de Portugal é contribuir para um consenso europeu que permita lançar as bases dessa futura parceria estratégica com a Rússia".

À pergunta da agência russa: "Quem é, na sua opinião, Vladimir Putin no contexto histórico?”, José Sócrates responde: "Vladimir Putin é um líder inteligente, que tem vindo a marcar, com a sua determinação e coragem, a história da Rússia, da Europa e do mundo”.

“Não posso deixar de salientar a sua incansável dedicação e trabalho ao serviço da grande Nação russa, ao longo da sua vida. Com grande responsabilidade e sentido de Estado, por vezes deparando-se com dificuldades e adversidades, tanto no plano interno como internacional, ele tem sabido promover a estabilidade na Rússia, consciente de que é um elemento essencial da construção de um grande país plenamente integrado na família europeia e com um papel fulcral na definição da nova ordem mundial", acrescenta.

Numa entrevista concedida ao diário "Rossiskaia Gazeta", José Sócrates sublinha também a cooperação bilateral no campo da cultura, destacando como exemplo "a abertura em Portugal de uma extensão do famoso Museu Hermitage de São Petersburgo".

27/05/2007 | José Milhazes, Lusa/Fim

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