
Foi num clima de boa disposição, contando episódios das suas anteriores viagens a Moscovo, que José Sócrates aterrou ontem no Aeroporto Vnukovo 2, onde foi recebido com honras militares pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, para uma visita oficial de dois dias à capital russa.
![]() Sócrates com jornalistas durante o voo de Lisboa para Moscovo. Foto: Ricardo Oliveira / GPM |
À chegada, o primeiro-ministro afirmou que "esta é um visita de carácter bilateral que se enquadra numa estratégia externa de Portugal de aproximação aos países emergentes", mas onde irá abordar os problemas entre a União Europeia (UE) e aquele país. Questões como o Kosovo e até os direitos humanos na Rússia estarão em cima da mesa no encontro que Sócrates terá amanhã com o presidente Vladimir Putin, admitiu o primeiro-ministro que espera com este diálogo contribuir para ajudar a solucionar alguns destes obstáculos.
"A Rússia é importante para a Europa como mercado tal como esta é para a Rússia", disse Sócrates. Na sua opinião, as boas relações económicas reforçam as relações políticas. Uma maior interacção económica com a Rússia é, aliás, um dos aspectos que Sócrates defenderá no decurso da presidência portuguesa da UE sem esquecer a coesão e a solidariedade entre os vários membros da UE.
Do ponto de vista bilateral, Sócrates considera que hoje já existem boas relações económicas com a Federação Russa. Mas neste campo, dadas as potencialidades do país, "devemos ser mais ambiciosos". Depois do Brasil, China e Índia, com esta visita à Rússia, Portugal completa o seu périplo pelos países do BRIC, com os quais quer reforçar as relações económicas, bem como a outros com elevado crescimento económico, como Angola. As exportações portuguesas para o Brasil, Angola e China registaram crescimentos significativos depois das visitas do primeiro ministro e só para a Índia é que as vendas nacionais se mantiveram ao mesmo nível. Nos primeiros três meses do ano, as exportações para o Brasil cresceram 17% face ao período homólogo do ano passado, para Angola cresceram 42% e para a China o aumento foi de quase 20%.
Acompanhado por cerca de 50 empresários, Sócrates espera que as exportações para a Rússia, país com o qual Portugal ainda regista um elevado défice na balança comercial, as vendas nacionais venham subir. Mas o investimento directo também deverá aumentar.
No entanto, não se espera que sejam assinados contratos no decurso desta visita, porque muitos do empresários que integram a comitiva vêm desenvolver os primeiros contactos para começar a entrar no mercado russo. Uma das excepções é a Fometinveste, que vai assinar um contrato para a compra de licenças de emissão de CO 2 à gigante russa do gás, Gazprom, no valor de 20 milhões. A Efacec também vai celebrar um contrato para venda de equipamento no valor de 5 milhões e a Logoplaste vai investir numa fábrica não alimentar no valor de 25 milhões de euros. A grande incógnita continua a ser a Galp, que para já continua em negociações com a Gazprom, para a criação de uma parceria no sector do gás.
De acordo com dados estatísticos do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, entre os 275.906 estrangeiros que escolheram Portugal para viver, há 4.939 cidadãos originários da Rússia.
Por sexos, 2468 são Homens e 2471 são Mulheres. Quase uma igualdade.