
Américo Amorim e Ferreira de Oliveira são os grandes ausentes da comitiva de José Sócrates na viagem oficial à Rússia. No segundo dia de visita, o ministro da Economia confirmou que o CEO da Galp, que afirmou o interesse na exploração e produção petrolífera e de gás natural na Rússia, ficou em Portugal para estar presente na assembleia geral da petrolífera portuguesa. O paradeiro de Américo Amorim é ‘desconhecido’. Para esta viagem, o empresário tinha assumido como objectivo o “ relacionamento de negócios no sector energético com a empresa Gazprom”.
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Sem desenvolvimentos conhecidos nas negociações entre Américo Amorim e a empresa estatal russa, que poderia entrar na Galp Energia através da participação de Amorim, a Gazprom anunciou a intenção de fornecer gás natural directamente aos consumidores da Peninsula Ibérica.
José Sócrates convidou, ontem, alguns dos principais decisores económicos russos para almoçar na residência oficial da Embaixada de Portugal, entre os quais Kruglov, vice-presidente da Gazprom, que afirmou o seu interesse numa maior participação no mercado europeu. Actualmente, a empresa já fornece parte dos consumidores franceses.
Por seu lado, a Companhia Nacional de Gás Russa, representada neste almoço pelo seu presidente Mikhail Genkin, quer construir uma nova fábrica de produção de etileno em Sines. Este projecto envolve um investimento de cerca de 65 milhões de euros para a produção de 80 mil toneladas de etileno por ano, e a criação de 200 postos de trabalho. Também presente, o presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (API), Basílio Horta, reafirmou a vontade de Portugal em receber investimento russo em três áreas principais: petroquímica, tecnologias de informação e comunicação e plataformas logísticas. “O porto de Sines poderá transformar-se, a prazo, numa plataforma das operações comerciais russas com destino a África e à América”, acredita Basílio Horta. E por sugestão do presidente da API, na véspera da cimeira União Europeia/Rússia, prevista para Outubro, o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, deverá fazer uma breve visita ao porto de Sines.
De acordo com fonte do Executivo, o principal tema de conversa durante o almoço foi, no entanto, o potencial turístico dos dois países. Questões como a burocracia dos vistos e a escassez de voos serão discutidas nos próximos meses. Dionísio Pestana, presidente do grupo Pestana, aproveitou a viagem para avaliar o mercado. “Há uma enorme escassez no número de camas”, concluiu o empresário. Mas os preços dos terrenos são “impeditivos”, cerca de 6 mil dólares por metro quadrado, em regime de concessões renováveis de 49 anos. Por esta razão, Dionísio Pestana vê como possibilidade de entrada na capital russa o estabelecimento de uma parceria com um proprietário local. Um possível hotel de quatro estrelas será agora analisado.
Solucionada fica ainda a questão da dívida da Rússia a Portugal – o primeiro-ministro russo, Mikhail Fradkov, garantiu que a Federação Russa pagará até ao fim de Agosto a dívida de 62,1 milhões de euros aos empresários e ao Estado Português, contraída no tempo da antiga União Soviética. Para o Governo português esta garantia foi lida como “um gesto significativo de vontade em desenvolver e aprofundar as relações comerciais entre os dois países”.
No primeiro dia da visita oficial, José Sócrates teve ainda tempo para inaugurar a exposição “Portugal, Mais do que Imagina”, aberta entre 28 e 30 de Maio para dar a conhecer as ‘start-ups’ portuguesas’ do sector das novas tecnologias. Entre as quinze empresas portuguesas estão presentes a Critical Software, a Edisoft, a Tekever e a Edigma.com.
É o maior cartaz de promoção de Portugal alguma vez colocado no estrangeiro. Um painel de 3.000 metros quadrados, fixado numa rua central de Moscovo, retratando um paraíso de praias, sol e campos de golfe. Este é apenas um de muitos elementos através dos quais se pretende reforçar a imagem de Portugal enquanto destino de eleição e cativar novos fluxos de turismo. Com um orçamento de 650 mil euros, o Governo e o Turismo de Portugal aproveitaram a visita de José Sócrates para lançar a maior campanha de promoção turística de sempre na Rússia. Anúncios, ‘outdoors’, participação em ‘workshops’ e feiras, um ‘site’ em russo e dois voos entre Moscovo e Lisboa por semana, mais uma ligação a Faro, completam os meios que vão reforçar a notoriedade de Portugal. Para aproveitar o potencial de crescimento do turismo russo, em especial o segmento VIP, que cada vez mais procura destinos de sol e mar, apostou-se em promoções de grande impacto, nomeadamente através do www.visitportugal.com, onde se propõem actividades, visitas e toda a informação para planear e fazer férias por cá. Na Europa Central e Oriental, a Rússia é o país com maior fluxo de turistas para Portugal - 112 mil por ano, diz o Icep, contra os 220 mil que escolhem Espanha como destino - seguida da Polónia, República Checa e Hungria.