
Só a alusão aos direitos humanos na Rússia ensombrou encontro entre Putin e o primeiro-ministro.
E sócrates estendeu a mão a Putin. Duas semanas depois da cimeira UE/Rússia, marcada por fortíssimas divergências entre os dois blocos e com a saída de cena dos dois principais aliados de Vladimir Putin (o alemão Schroeder e o francês Chirac), coube ao próximo presidente da União mostrar a Moscovo que os 27 continuam com portas abertas para retomar o diálogo.
O encontro começou ao meio -dia, na muito imperial Sala Verde do Kremlin. Coube a Sócrates a primeira palavra, de sorriso tenso ("é um prazer, obrigado pelo convite"), prontamente retribuído com um sorriso aberto è determinado do líder russo. O primeiro-ministro português deu, de imediato, o sinal de apaziguamento: "Encaro a relação [entre Europa e Rússia] com muita confiança (...) uma relação tão importante é um desafio para ambas as partes, que estarão à altura do desafio". Ficavam lançados os dados para um encontro à porta fechada que durou, inesperadamente, duas horas e quarenta, muito mais do que a hora inicialmente prevista.
Na conferência de Imprensa, perante duas dezenas de jornalistas de cada lado, o tom cordato era confirmado, embora nenhum dos líderes escondesse os problemas existentes. Vladimir Putin falou de negociações "muito frutíferas" e disse ter apreciado "a atitude do primeiro-ministro português" na procura de um "reforço do entendimento" entre os dois blocos, mas fez questão de lembrar a "preocupação da Rússia para com certas intenções dos nossos colegas ocidentais". No caso, tratava-se da instalação de mísseis americanos em países do Leste Europeu.
Sócrates, por seu lado, falou da Rússia como "actor incontornável da cena internacional" (rejeitando um corte de relações) e citou o próprio Putin para lhe lembrar o "desafio e responsabilidade" de uma história em comum. "É com esta ideia e inspiração que Portugal vai partir para a presidência da UE", disse, sublinhando que um acordo deve ser "de médio/longo prazo" e não circunstancial.
A conferência só pareceu azedar quando começaram as perguntas dos jornalistas, naturalmente menos diplomáticas. Putin nem hesitou em responder a um questão dirigida a Sócrates, sobre os sinais que o presidente russo lhe terá dado sobre um maior respeito "pela democracia e direitos humanos". Marcou o seu terreno e foi direito ao assunto: "Existe pena de morte em países ocidentais; também sabemos que existem torturas e prisões secretas ou problemas com a comunicação social.. Não devemos tomar a árvore pela floresta".
Sócrates, embora sem o sorriso irónico de Putin, também não baixou a cabeça. Deu a mão a Putin, mas deixou o recado diplomático: "São importantes sinais positivos, mas que sejam mútuos (...). Isto é muito sério. A relação UE/Rússia pressupõe partilha de valores? Sim.
Se falamos de democracia e direitos humanos? Sim, mas para não contaminar as relações é importante que ninguém comece por dar lições de moral seja a quem for."
Durante a guerra civil espanhola, como enviado do “Diário de Lisboa”, foi o primeiro jornalista a denunciar ao mundo o episódio que ficou conhecido como a “matança de Badajoz”, onde centenas de republicanos foram fuzilados pelas tropas franquistas.
Até 1982, presidiu à Comissão do Livro Branco do Ministério dos Negócios Estrangeiros, cargo que abandonou por ter atingido o limite de idade. No V Governo Constitucional foi Secretário de Estado da Emigração.